terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Zanzibar (1/2)


Para entender toda a história que encerra Zanzibar deve saber-se que a presença humana neste local remonta a mais de 20.000 anos.

Zanzibar é um arquipélago formado por uma ilha com o mesmo nome e uma vizinha (a ilha de Pemba) e forma uma estado semi-autónomo da Tanzânia.
Apesar de fazer parte da Tanzânia, Zanzibar elege o seu próprio presidente, que funciona como chefe do governo e tem ainda uma assembleia denominada "Conselho Revolucionário".

Já estava um pouco cansado da agitação comum de uma cidade e cheio de vontade de apanhar o barco e rumar a Zanzibar.
Zanzibar sempre teve para mim um significado especial, sempre guardou uma áurea de aventura e de exotismo.
Era ali que chegavam alguns dos primeiros exploradores que deram a conhecer a "desconhecida" África Meridional ao Ocidente e dali partiam e chegavam as expedições nesta zona do continente.

Deixei a mota a descansar em Dar Es Salaam e apanhei o barco para Zanzibar. Existem barcos recentes, com muito bom aspecto, rápidos e confortáveis. Também existem os antigos, mais "africanos", sem grande conforto mas mais económicos e por isso utilizados pela gente local. Não foi uma escolha díficil: em vez de duas horas demorei quase o dobro mas fui com o resto dos locais no "Flying Horse" (podia ser um bom nome a dar à minha mota AFRICA).
Centenas de pessoas enchiam o barco, ocupando cadeiras, escadas de acesso aos 3 pisos do barco e corredores. Por um segundo pensei naquelas noticias que costumam passar no telejornal sobre naufrágios em países de 3º mundo, sempre com a mesma aparente causa: excesso de pessoas. Mas é assim que gosto de viajar, sempre que possível: como todos os locais. E assim foi, depois de umas horas estava a chegar à paradisíaca ilha de Zanzibar.



Saída de Dar rumo a Zanzibar (pode ver-se nas imagens a Catedral e o mercado do peixe)




Viajando com os locais no "Flying Horse"

 
Ali, à medida que o barco se aproximava de terra, com vista sobre a cidade velha (Stone Town), fui imediatamente transportado pela imaginação até à África dos grandes exploradores.
 
Para entrar na Ilha de Zanzibar é necessário passaporte e este é carimbado à entrada e saída como se de um país diferente se trata-se. Também a bandeira é diferente da Tanzaniana.

O coração de Stonetown, a parte mais antiga e carismática da ilha, é um labirinto de ruas sinuosas preenchidas por casas, pequenas lojas, bazares e mesquitas. Pelas ruas, estreitas demais para passarem carros, circulam pessoas, bicicletas e motas.

Não foi fácil encontrar um sítio para ficar na cidade. Claro que existem dezenas de hóteis com muito bom aspecto mas proporcionalmente caros.
A grande parte dos turistas que visita a ilha chega de avião, com hotel marcado, ficando geralmente junto ao mar, em grandiosos e elegantes espaços.
O grupo dos "pé-descalço", classe na qual me insiro, procura sempre o mais barato. Geralmente acabo sempre em ruas secundárias num "backpacker" simples, sem qualquer mordomia, mas quase sempre relativamente confortável e limpo.
E assim foi desta vez, tendo ficado na terceira escolha (os outros estavam cheios): um local muito simples, numa rua perdida no meio da cidade mas barato, baratinho (como tanto gostamos).

Aqui passei alguns dias podendo sentir a cidade com toda a calma, apreciando a sua arquitectura, explorando as ruas, sistematicamente perdendo-me e voltando-me a achar junto à praça maior, com vista para o mar.
A arquitectura na cidade é única e incrivelmente bela, com influências Árabes, Persas, Indianas, Europeias e Africanas. Poucos lugares no mundo sofreram tanta influência junta como aqui e isso pode ver-se e sentir-se.
Por essa razão a cidade está incluída na lista da UNESCO desde 2000.

O nome "Cidade de Pedra" aparece do uso de pedra de coral como o principal material de construção (como já tinha visto em toda a costa desde a Ilha de Moçambique).
Os edifícios tradicionais têm uma "baraza", um longo banco em pedra na parede exterior, usado pelas pessoas para se sentarem, descansarem e socializarem. Outra característica marcante em muitos edifícios são as grandes varandas e as portas de madeira ricamente esculpidas. Os dois tipos de portas podem ser distinguidas: as de estilo Indianas têm os topos arredondados e as de estilo Árabe são rectangulares.








Stone Town




Pormenores de portas típicas de Zanzibar





Memórias da "velha cidade"
Pouco tempo antes do sol se pôr a cidade muda. Nas labirínticas ruas do interior ouve-se com grande volume o chamamento para a reza, junto ao mar, na estreita língua de areia da parte antiga da cidade joga-se futebol, passeia-se ou dá-se o último mergulho do dia. 
Em frente à "Casa das Maravilhas", antiga residência de um sultão e um dos edifícios mais emblemáticos de Zanzibar, dezenas de balcões começam a ser preparados para vender uma variedade imensa de comida. Miúdos competem entre eles em saltos acrobáticos para a água, enquanto uma pequena multidão assiste, entretida com o seu sumo ou gelado, aquele espectáculo. 
A luz das seis da tarde, com a sua cor laranja suave, enche de vida todo o ambeinte e torna tudo ainda mais especial.













Ambiente num qualquer fim de tarde junto ao mar em Stone Town






"Mercado de comida" (exemplo de menu: espetadas de peixe com salada, pizza de vegetais, acompanhado por um sumo feito a partir de cana de açúcar com um pouco de gengibre e uma panqueca de chocolate para a sobremesa)


A longo dos séculos Zanzibar tem sido uma grande produtora de especiarias, incluindo o cravinho, a canela e a pimenta. Esta última era uma importante base para trocas comerciais (especiarias e escravos) entre a Ásia e África.

Estas especiarias crescem em plantações fora da cidade de Stone Town e assim juntei-me a um pequeno grupo de turistas para fazer a conhecida "Spice-Tour".
Tive a experiência de sentir, cheirar e em alguns casos provar algumas das mais conhecidas especiarias que sempre vi lá na cozinha em casa, plantas e frutos.
Mais importante ver de onde vêm, como se extraem e quais os suas principais utilizações.
Noz moscada, gengibre, baunilha, vários tipos de pimenta, mentol, cravinho, etc. foram algumas das especiarias que o guia detalhadamente nos mostrou.   
 
Um dia bem passado, cheirando, comendo e aprendendo. A meio da tarde ainda fomos dar um mergulho a uma das excelentes praias a norte e visitámos uma antiga gruta onde escravos eram escondidos depois da abolição da escravatura no final do século XIX.















 
Existe um prémio a quem conseguir identificar todas as especiarias, plantas e frutos nas fotografias






Estes estudantes foram dar passeio à praia e eu estava lá para cobrir o acontecimento :)



Como o cenário pode mudar de repente


Gruta que ajudou a esconder o tráfico de escravos em Zanzibar

No dia seguinte as praias paradisíacas de areia branca e fina, quase desertas, contrastando com o frenesim da cidade de Stone Town, esperavam por mim.  

1 comentário:

  1. simplesmente fantastica as tuas viagens..

    Zanzibar aconselhas para uma lua de mel??

    É seguro??

    Um abraço

    José

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