quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Marrocos: do mar ao deserto, passando por cidades e montanhas (incluí grandes barrigadas de tagines de borrego e dezenas de litros de chá de menta)


Depois de ter feito os aborrecidos quilómetros que separam a costa da “cidade-vermelha”, Marraqueche, cheguei finalmente ao meu destino.

Em poucos dias, neste país, tinha passado junto ao Sahara, aproveitado a sua costa no sul, cruzando o Anti-Atlas e as suas magníficas montanhas, dirigindo-me agora para a conhecida “pérola do sul”, outro nome como Marraqueche é conhecida.

A minha viagem estava a terminar e com ela os grandes obstáculos e dificuldades que encontrei nos países a sul iam acabando também.
A estrada esburacada e os famosos “condutores inshala”, começavam a ser substituídos por tapetes impecáveis de asfalto onde circulavam veículos impecáveis que, imagine-se, até obedeciam às regras básicas de trânsito. Também os semáforos reapareceram, os polícias educados surgiam a cada paragem, os ATM´s em cada esquina e os Mac-Donalds podiam ser encontrados em todas as grandes cidades.

Ali, nas largas avenidas nos arredores de Marraqueche, sentia-me quase, quase em casa.
Apesar de estar um pouco melancólico pela viagem estar quase concluída, a ansiedade e saudade que sentia de casa, da família e dos amigos fazia com que visse o meu regresso, o acabar de uma grande viagem, de uma forma positiva.

Atormenta-me um pouco, a viajar e claro, ao longo da vida, o deixar de fazer certas coisas, não viver certas experiências e deixar o tempo passar.
Ao longo destes meses andei exactamente onde queria e como queria; fiz o percurso que quis, visitei os países que entendi e deixei-me estar o tempo que senti ser suficiente estar (quantas pessoas tiveram ou terão essa experiência na vida?!)
Mais do que o prazer de ter viajado neste continente incrível, conhecido pessoas e culturas inesquecíveis, vivido experiências marcantes, foi o facto de tudo ter sido feito ao meu ritmo, sem pressas nem constrangimentos que tornou este ano, os meus trinta anos de vida, num ano inesquecível.










Diferentes cenários em Marrocos, um país Cheio



Ao chegar a Marraqueche, por breves instantes achei a cidade vulgar, com carros de grandes marcas, restaurantes de cadeias internacionais e pessoas passeando-se pelas largas e impecáveis avenidas com roupas ocidentais.
Não podia estar mais errado e logo depois mudei de ideia ao entrar, com todo o aparato típico da Miss e do seu roncar mal comportado, praça Jamaa El-Fna adentro.

Tinha já a indicação dos meus amigos Margus e Karina de um hotel para me hospedar e ao chegar aquela praça, não perdi muito tempo, aventurando-me por uma das típicas ruas adjacentes até encontrar o espaço.

(quem conhece esta famosa praça e as ruas estreitas e labirínticas deste local pode facilmente imaginar a cena que foi entrar com a Miss numa das ruas, completamente carregado e fazendo uso do som que sai do akrapovic para afastar quem se encontrava no caminho)

Devia eu ainda estar na praça e o Margus, que aproveitava o tórrido calor da tarde para estar a descansar no hotel, ouviu-me logo, tendo vindo receber-me à porta do hotel.
Com alguma dificuldade colocámos a mota no interior, negociei com o empregado a diária (4 Euros para mim + 1 para a Miss ?!?!?) e depois de uma longa conversa com aquele casal amigo agarrei na máquina e fui conhecer a cidade.

Numa primeira visita nem vale a pena tentar evitar com que nos percamos por aqui. O sentido de orientação é posto à prova e esqueçam: andamos melhor sem ele.
O segredo para uma visita diferente passa sempre por nos deixarmos perder pelas ruas labirínticas da cidade e ver o que cada virar de esquina nos reserva.
Assim, saindo do circuito mais turístico, descobrem-se pequenas maravilhas, seja um típico jogo de cartas entre locais sentados no meio da rua ou uma porta entreaberta de uma casa de aspecto banal mas onde se espreita um interior deslumbrante e inesperado.

À semelhança de muitas metrópoles norte-africanas e do Médio-Oriente, Marraqueche possui uma cidade fortificada (ou Medina) e uma cidade moderna adjacente (chamada Gueliz).
O coração da cidade é sem duvida a praça de Jamaa El-Fna, uma das mais movimentadas do mundo.
Estar neste local, independentemente da altura do dia, é uma experiência para todos os sentidos, um espectáculo de luz, cores, sons e sabores.
Turistas aos montes, de toda a espécie, juntamente com os locais (em maioria) atropelam-se entre encantadores de serpentes, músicos, acrobatas, contadores de histórias, dançarinos, macacos amestrados, cavalos e carroças, etc.

Durante todo o dia a animação ali está garantida mas é sobretudo a partir do final da tarde, quando o sol começa a desaparecer e a temperatura começa a baixar, que o coração de Marraqueche bate com mais força.
E é então que surgem dezenas de restaurantes em bancas no meio da praça, oferecendo uma lista incrível de comida, desde espetadas de carne, a peixe frito, caracóis e outros petiscos.
Eu, entre passeios e fotografias lá parava um pouco junto das barracas dos sumos de laranja (ingerindo vitamina C para o ano inteiro) e descansava um pouco assim, entre as caminhadas.




A Miss na companhia da mota do Margus
numa pensão rasca em Marraqueche



"Encantadores" de cobras


Turistas a tirar a tristemente famosa
"fotografia com o macaquinho"




Mesquita de Koutoubia,
a maior da cidade


A mistura de vários tipos de pessoas era o que mais me interessava e chamava a atenção. Devo confessar que fiquei surpreso por ver que a maioria da gente que se encontrava na praça (que não pára, sempre com movimento durante os 7 dias da semana) era local. Os marroquinos ficavam horas de volta dos músicos locais, dos encantadores de serpentes e dos contadores de histórias.

Os estrangeiros eram de diferentes tipos: os da terceira idade que chegavam em grupos grandes saídos dos autocarros, estacionados no exterior da praça, os asiáticos que apareciam com auscultadores wi-fi futuristas em rebanho, seguindo atentamente todos os passos dos guias, os mochileiros, casais vestidos como se fossem para um cocktail, outros parecendo vir da praia, etc.
Tudo se mistura ali e muita coisa acontece, formando uma espécie de circo e criando uma autêntica sobrecarga sensorial.





Pelas ruas da cidade, um verdadeiro shopping ao ar livre



Praça Jamma El-Fna



Saí da cidade depois de duas noites passadas a vadiar pelas ruas e praça, conseguindo partir sem comprar uma única coisa, façanha rara a quem passa por aqui.
Tendo eu feito esta viagem de carro estou certo que chegaria aqui, a Marrocos, cheio de objectos da maioria dos países por onde passei. Mas de mota e com carga máxima deixo que apenas as fotografias e vídeos façam parte das recordações que trago (e essas ocupam pouco espaço na bagagem...).

Queria ir para Este, passar em Ouarzazate e seguir para Zagora. O cálculo do GPS dava-me pouco mais de trezentos quilómetros mas claro, com os desvios que acabei por fazer esse número quase triplicou.
Comecei por rumar a sul, e almoçar no sopé da Jbel Toubkal, a mais alta montanha da cordilheira do Atlas com 4.167 metros de altura (e também a maior da África do Norte).

Estava em plena região do Alto Atlas e a paisagem era fantástica. Poucas vezes nesta viagem parei tantas vezes para apreciar a vista como aqui, que em alguns momentos é simplesmente de cortar a respiração.
Era frequente sair da Miss para tirar uma fotografia, voltar a montar-me e poucos segundos depois  ter vontade de sair novamente para apreciar de novo a vista: mesmo depois de 50.000 quilómetros de fantásticos ambientes aquele ainda era um cenário que me comovia.

O Alto Atlas é de facto impressionante, de outro mundo, e as aldeias de berberes dão um colorido e uma beleza enorme aquela região.
À medida que seguia estrada fora, muitas vezes cortando com o alcatrão e passando por troços escavados na montanha (pondo a Miss em trabalhos forçados), ficava rendido à beleza dos vales, riachos e campos de cultivo que encontrava pelo caminho.
Cruzava-me muitas vezes com berberes, homens, mulheres e crianças que regressam dos mercados ou do campo de cultivo depois de um dia de trabalho.








Paisagem fantástica na região do Alto Atlas



Pequeno-almoço reforçado antes de enfrentar
um dia de estrada



Um companheiro de estrada



Saída de estrada


Campo de cultivo perto de uma aldeia berbere: maravilhoso



Depois de uma volta grande e de uma noite passada num hotel de beira de estrada, cheguei a Aït Benhadou.
Trata-se de uma cidade fortificada situada junto ao rio Quarzazate e constituída por pequenas kasbahs.
A kasbah era uma residência fortificada feita de argila misturada com água e palha triturada, que servia de refúgio para pessoas e animais.

A maioria dos habitantes da cidade vive agora numa aldeia mais moderna, no outro lado do rio; onde almocei.
Já a meio da tarde deixei a Miss e avancei a pé, atravessando o rio seco e subindo pelos andares da cidade até ao cimo do monte.

Neste local foram filmados vários filmes conhecidos como Lawrence-da-Arábia, A Múmia, Gladiador, etc. Os vendedores esses, como em todos os locais mais turísticos não deixem ninguém em paz e aqui andam com as fotografias do Russel Crowe na mão a impingir a quem passa.

Aït Benhadou foi classificada como Património Mundial pela UNESCO e, desde aí, tem estado a ser recuperada. Foi dos lugares mais fantásticos onde estive.







Aït Benhadou


Já o sol estava baixo quando me fiz de novo à estrada rumando a noroeste; sim, afastando-me de Zagora, o meu destino, optando por seguir uma estrada menos movimentada e fazer um loop pela montanhas do Atlas.
Acabei por dormir essa noite em Telouet onde cheguei a tempo de ver o sol desaparecer por detrás das montanhas formando um cenário grandioso.
Esta pequena vila fica a 1800 metros de altitude e estava incluída na rota das caravanas que vinham do Sahara para Marraqueche.
O seu bonito palácio está a ser recuperado depois de ter sido destruído pelas chuvas há uns anos atrás.
Ali, no meio do Atlas sentia-me estar num mundo diferente, estranho mas fascinante.

No dia seguinte bem cedo completei a minha volta e regressei de novo a uma boa estrada onde cumpri sem dificuldade a distância até Zagora.
Passei por Ouazazate mas não senti vontade de ficar assim que comecei a ver grandes estúdios de cinema.
Lembro-me de um com grandes figuras egípcias de imitação à porta, com um ar hollywoodesco deprimente que destoava com a restante paisagem, que como nos restantes locais da região é um sonho.

Antes de alcançar Zagora deparei-me com um vale com inúmeras povoações com lindos palmeirais e grandes kasbahs ao longo do rio Drá.
Este rio com 1100 quilómetros de extensão é o maior curso de água de Marrocos começando no Alto Atlas e acabando só no Atlântico.
Graças a esta água o vale do Drá é uma faixa de palmeiras verdes, pomares, hortas e aldeias berberes deslumbrante.
É uma rota mágica (das mais bonitas que fiz), a estrada que chega até Zagora: a principal “porta do deserto”, ponto de saída das caravanas que se dirigiam para Tombuctú, no Mali.

Zagora pode ser vista como uma cidade fronteira, onde se encontram os últimos exuberantes palmeirais antes do deserto.
É uma cidade quente com nada de especial em si, mas aproveitei a minha estadia ali para conhecer melhor a região.
Acabei também por fazer uma pequena manutenção à Miss e mudei o pneu traseiro, cansado dos 16.000 quilómetros desde a Namíbia.
Já com um pneu mais apropriado para maiores loucuras e sem bagagem aproveitei para passar o dia a descobrir a zona do vale, a conduzir por estradas junto do rio, com paisagens vulcânicas espectaculares  e muitas aldeias.
Ali dei as últimas quedas da viagem e que saudades irei ter eu destas coisas, podem acreditar…

Em Zagora experimentei alguns pratos locais e deixei-me estar nas esplanadas a ver quem passava, um dos passatempos de onde tiro maior prazer.
Foi daquela cidade que os Saadianos (que travaram uma guerra santa contra Portugal, na altura de D. Sebastião) lançaram a sua expedição para conquistar Tombuctú em 1591.
No famoso sinal na cidade, ainda se lê: "Tombouctou 52 jours" (de camelo caravana), apesar de ter levado ao exército Saadiano 135 dias para lá chegar…


Principal mesquita em Zagora




Subsituição do pneu e a última vez que tirei o depósito da Miss
durante esta viagem (um momento especial)













Passeando pelo fascinante Vale do Drá


A última queda da viagem com direito a auto-retrato :)


A minha viagem continuou rumo a Erg Chebbi e as suas dunas perto da fronteira com a Argélia no norte do país.
Com “apenas” 22 quilómetros quadrados, este local parece ter sido retirado do campo de dunas bastante maior do outro lado da fronteira, o verdadeiro Sahara.
Para lá chegar optei por uma pista e não me arrependi. Apesar de alguma areia solta e muita pedra cheguei a meio da tarde a um resort onde, com muita sorte, consegui que me incluíssem num grupo de pessoas que iria dormir no deserto nessa mesma noite.

Enquanto esperava pela partida pude usar a piscina e saborear um delicioso chá com pão e azeitonas. Melhor, seria difícil (e muito mais caro).

Passei um fim de tarde e uma noite inacreditável dormindo no deserto.
Erg Chebbi é sem dúvida um lugar mágico que merece muito mais do que um nascer e pôr-do-sol. As dunas estão em constante mudança, a luz e as cores são ali diferentes de tudo o que já tinha experienciado e durante a noite, longe das luzes do acampamento, pude apreciar a clareza imensa do céu do deserto e do intenso brilho das suas estrelas.

Depois da viagem em cima de um camelo (que saudades que tive do banco da minha Miss…) passei a noite acampado tendo voltado no dia seguinte à base.
Com este pequeno passeio fiquei com muita vontade de conhecer o “verdadeiro” deserto e passar aí algum tempo. Dessa vez espero levar companhia (Inshalá)…pois é com toda a certeza dos sítios mais românticos onde já estive.





Pista de Zagora até Erg Chebbi



Almoço e auto-retrato na piscina


Aqui começa o deserto




Caravana deserto dentro





Pôr-do-sol mágico em cima de uma duna




Depois do jantar os ritmos berberes marcaram o serão



De madrugada não resisti a dar uma grande
volta pelas imediações do acampamento
(sem lanterna nem flash)






Acordando no deserto e preparar
a caravana para partir


Saindo de Erg Chabbi, ainda com as cores do deserto na cabeça a minha primeira paragem foi a cidade de Tinerhir.
Daí segui estrada fora até às famosas gargantas do Todra, um passeio de poucos quilómetros atravessando uma série de palmeirais e acompanhando o rio. 
A maior parte dos turistas fica-se pelas gargantas propriamente ditas, mas eu decidi rumar a Imilchil ao longo de uma estrada incrível, passando pela conhecida passagem estreita: o desfiladeiro de Todra Gorge com cerca de 100 metros de altura.

Há muito poucos anos a estrada foi asfaltada e agora, apesar de ter troços em pior estado, o trajecto entre Tinehir e Imilchil faz-se com relativa facilidade.

Ao longo do vale do Todra, logo a seguir à passagem, entra-se numa região mais árida, antes de começar a surgir de novo alguns oásis.

Esta é uma das regiões mais “remotas” de Marrocos, habitada por populações cujo contacto com os viajantes é menor. Isso parece que está a mudar pois com a estrada em melhores condições cada vez mais turistas por aqui passa.
Cheguei essa noite a Imilchil, uma pequena cidade despojada e fria (razão pela qual os franceses a apelidaram de “le petit Tibét”) onde conheci outros motards, espanhóis e franceses que aproveitavam uns dias de férias para fazer umas pistas naquela região.



Tinerhir, às portas do Vale do Todra



Gargantas do Todra


Amigos espanhóis e franceses num hotel em Imilchil


A minha última “paragem turística” de toda a viagem foi em Fez. E que local este, um verdadeiro museu de arquitectura medieval. 
Com um ambiente muito especial, Fez é a mais antiga e bonita cidade de Marrocos.

Património da Humanidade, a cidade divide-se em três partes, Fez el Bali, que é a antiga medina, com as suas madrassas, mesquitas, mercados, tinturarias e museus; Fez el Jedid, com o seu antigo bairro judeu e o Palácio Real; e a Ville Nouvelle, erigida pelos franceses e onde se situam a maior parte dos hotéis e restaurantes.
Claro está que procurei ficar mesmo junto da medina (ao contrário de Marraqueche aqui não se pode conduzir pelas ruas no interior da medina), pelo que arranjei um hotel barato para ficar por ali umas noites.

A imensa medina é um labirinto de ruelas e becos, em eterno movimento, com multidões de pessoas vestidas de roupas coloridas, entre comerciantes de azeitonas e mulheres com véus a caminho dos banhos, comerciantes de todo o tipo de produto e vendedores de água, de tâmaras, de tapetes, roupas, couros, especiarias e instrumentos musicais, etc.

As ruelas são tão estreitas que todo o movimento de transporte de mercadorias e pessoas é feito em mulas, burros e bicicletas.
Aqui, nada de motas, felizmente.
Fez, a cidade azul, é também a capital do artesanato, existindo regiões determinadas para cada tipo: latão, tecidos, couro e tapetes. 
Tudo claro está, numa inacreditável confusão: existem ferreiros à martelada na rua a fazerem artigos de ferro e bronze, carpinteiros a trabalhar de uma forma excepcional a madeira, alfaiates com os seus modelos pendurados na rua, burros carregados de água, madeira, tudo e mais alguma coisa. 
Aqui encontram-se os melhores artesãos de Marrocos e pelo que me disseram grande parte do que se vende nos mercados do país vem desta cidade. 



8:00 AM: trânsito local



Rumo a Fez, pelo Grande Atlas







As ruas coloridas de Fez


?!


Fotografias do rei em diferentes situações à venda na rua
















Mercados, burros, artesãos ajudam a tornar
esta cidade especial

















Alguns pormenores numa cidade que me marcou bastante



Sai de Fez com dia marcado para apanhar o ferry de Tânger para Tarifa.

A aventura “África do meu coração” tinha data para terminar e eu não estava triste. Tinham sido quase 14 meses cheios de aventuras, nos quais tinha vivido muita coisa.
Agora, naturalmente, tinha chegado a hora de regressar e estar com a família e amigos.

Pensei ficar uma noite em Chefchauen, uma cidade no norte do país, a caminho de Tânger e ainda estive por lá, dando umas voltas sem desmontar da Miss.
Mas confesso que a ansiedade foi maior do que a curiosidade de ficar naquela bonita cidade e dei por mim já no porto de Tânger, a tratar dos papéis para apanhar o barco e regressar ao velho continente.

Acabei por perder um dos barcos que esperava por mim pois o homem na migração não encontrava o carimbo da minha entrada em Marrocos. Demorou mais de dez minutos com passaporte na mão, antes de entregar-mo para lhe  mostrar e os funcionários começavam a dizer que eu iria ter grandes problemas com a polícia (se soubessem o que eu já passei...).
Peguei no passaporte e logo encontrei o carimbo no meio de outros tantos (recordei o episódio no Congo onde não me deixaram entrar com um visto válido e da Nigéria que deixei expirar o que trazia comigo; e senti-me nostálgico por perceber que as aventuras tinham terminado).

Perdi o barco e nem quis saber. Tinha acabado há poucas horas de ter feito o meu quilómetro 50.000 de viagem e estava cheio: cheio de experiências, de recordações, com mais amigos e mais vivido.
Que se lixe o barco, irão vir mais...
Poucas horas depois aí estava ele, embarcando assim na última viagem de barco desta história.



Em Tânger, pronto para saltar para
o velho (e triste) continente



A Miss já tinha andado de barco
mas nenhum assim...




A última fotografia de África


Do outro lado do Mediterrâneo os meus pais esperavam por mim e um grupo de amigos acabava de sair de Lisboa para me vir receber a Tarifa.

Sou um homem de sorte.

5 comentários:

  1. Um lindo fim para uma linda viagem. Lindas as cores que vc carregou contigo ao longo do caminho. Foi uma delícia viajar com vc neste blog e fico mto feliz de tê-lo conhecido no Kenya. Vamos vivendo =) Beijoca

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  2. Grande Gonzalo! Magnifica forma de relatar cada vivencia, inspira a cualquier a emprender su aventura.
    Es mucha la motivación que me ha causado el conocer al protagonista de una aventura asi, escuchar tus anecdotas en Imilchil y ahora leer toda tu viaje (aún me queda mucho...jejeje), Enhorabuena!
    Muy guapa la foto en imilchil en la que salimos todos, podrías mandarmela por mail?
    Un abrazo amigo
    Fernando

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