segunda-feira, 17 de maio de 2010

Saudade


Alfama, 2002

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Emoções em África


Algures entre Calandula e Lucala um grupo de graúdos liderado por crianças fez-me ficar e roubou-me.
Roubaram-me fotografias, arrancaram-me sorrisos e rasgaram-me o coração com a despedida.
Emoções em África.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Gente de Calandula - Gente de Malange

Quedas de água de Calandula (antigas "Duque de Bragança") na província de Malange.

Mistura de gente de Malange: Padre Albino que me deu abrigo na sua paróquia, Mboa Vânia que "começou a namorar cedo" e já é mãe aos 17 anos e o "tropa" de amarelo que insiste em "pausar" para a foto.

Que gente, que lugar...






Kandengues

África é terra de futuro para os kandengues.

"Os Meus Putos" numa das aldeias entre Uíge e Lucala.





quarta-feira, 17 de março de 2010

Pedras Negras (Pungo N'dongo)

Dia de Pedras Negras , Noite de acampamento.




Viajar


"Eu gosto de parar em todas estações,
Apreciar a marcha, e avaliar o espaço,
E calcular o tempo, e sondar a paisagem,
Desde o princípio ao termo da viagem,
- passo a passo –
para saber, o que ficou em mim…"

Geraldo Bessa Victor


quarta-feira, 10 de março de 2010

Mãos Esculturais


Além deste olhar vencido
cheio dos mares negreiros
fatigado
e das cadeias aterradoras que envolvem lares
além do silhuetar mágico das figuras
nocturnas
após cansaços em outros continentes dentro de África

Além desta África
de mosquitos
e feitiços sentinelas
de almas negras mistério orlado de sorrisos brancos
adentro das caridades que exploram e das medicinas
que matam

Além África dos atrasos seculares
em corações tristes

Eu vejo
as mãos esculturais
dum povo eternizado nos mitos
inventados nas terras áridas da dominação
as mãos esculturais dum povo que contrói
sob o peso do que fabrica para se destruir

Eu vejo além África
amor brotando virgem em cada boca
em lianas invencíveis da vida espontânea
e as mãos esculturais entre si ligadas
contra as catadupas demolidoras do antigo

Além deste cansaço em outros continentes
a África viva
sinto-a nas mãos esculturais dos fortes que são povo
e rosas e pão
e futuro.

Agostinho Neto

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

São Valentim - ANGOLA

Não existem muitas diferenças dos rituais do dia 14 de Fevereiro, dia de São Valentim, de país para país. Mesmo em diferentes continentes vemos o mesmo hábito de oferecer presentes em forma de coração, chocolates, perfumes e tudo aquilo que houver na montra. A cor rosa está na moda neste dia e os ursinhos de peluche são vendidos como castanhas na praça do Rossio...

Por aqui muitas pessoas aproveitam a porta de casa para literalmente montar a barraca e vender tudo o que os chineses souberam inventar (leia-se copiar). Desde o ursinho rosa-choc segurando o coração "I Love You" até à estatueta dos dois golfinhos saltando lado a lado, passando pelas flores de plástico e o perfume.

Este ano, pessoalmente, troquei as barracas comuns às tradicionais.

Produto MADE IN GABELA.





sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Memórias de um Natal em África #3

Depois de passada a noite algures entre a Menga e o nosso destino, Huambo, numa pensão de camionistas no mínimo "duvidosa" seguimos viagem para Sul.
Pouco depois estavamos no Huambo, antiga cidade de "Nova Lisboa".

Apesar de estar em fase de recuperação e em claro desenvolvimento apresenta ainda muitas marcas dos anos de guerra e suas consequências.

Contudo é das cidades que conheço em Angola mais agradáveis e que convida a que nos percamos pelas suas ruas e cafés.


Feridas antigas ou "tiro-ao-alvo"




Cicatrizes de guerra


Dias depois seguimos para Luanda via Lobito.


Passando no Balombo conversámos com gente local numa aldeia vizinha, trocámos sorrisos e continuámos caminho.






Gente de Balombo


Chegados à estrada principal que liga Lobito a Luanda continuámos a rolar até Luanda onde acabámos (quase) de chegar já tarde.


Deu ainda para conhecer dois ciclistas que vinham da África do Sul (???!!!!) e que seguiam também para Luanda. Haja vontade...






Assim se passou um Natal, diferente dos outros. Para o ano acho que vou querer mesmo estar à lareira com boa comida na mesa e com a casa cheia.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Memórias de um Natal em África #2

Estar preparado para tudo deveria implicar estar preparado para (mais) um furo, (mais uma vez) a mala lateral voar em pleno andamente, enfrenter a escuridão e o frio e ... CHUVA.

De repente, como tudo indicava pelo céu carregado a vir do Sul, vemo-nos no meio de uma tempestade, como um perfeito dilúvio e trovões, rebentando a algumas centenas de metros das nossas cabeças.

Depois da tentativa frustrada (e visto agora pouco inteligente) de encostarmos a mota na berma da estrada e tentarmos protegermo-nos da chuva junto a um casebre, já completamente ensopados (o algodão não engana...), enregelados e já com algum receio do que se iria passar, andámos uns bons km´s até que surgiu um ponto de luz que avistámos no meio da escuridão. Dirigimo-nos para lá.

Tinhamos chegado à "salvadora" vila da Mengue. A luz vinha dum jango à beira da estrada, cheio de pessoas da terra a "beber umas" enquanto se iam divertindo ao ver quem chegava, ensopado e a tremer de frio.



Lá dentro, fazendo um esforço em vão para nos secarmos e tentando fazer o nosso corpo chegar à sua temperatura normal, o grupo de locais ia rindo, trocando olhares e comentários.
Pouco depois a conversa começou a fluir e ali ficámos umas boas horas a ver a chuva cair forte do lado de fora.



"Fota-me aí "
O Sr. Mateus Kassoma, gerente do "estabelecimento comercial" onde vende o que dá jeito, desde rebuçados e bolachas maria até pacotes de whisky (telemóvel) e vinho tinto português contou-nos grande parte das suas recordações do tempo colonial e o que e como se passaram as coisas de seguida.
Tendo sido professor de História no Bié, hoje trabalhava ali num desses jangos que todas as vilas de Angola têm, dono de um qualquer General a viver em Luanda.
Ficou-me dessa noite um relato de um homem muito interessante que recordou outros tempos e opinou acerca do estado as coisas actualmente.

O chefe Mateus Kassoma orgulhoso do estabelecimento que gere na vila da Menga


(CONTINUA)